terça-feira, 2 de junho de 2009

RESENHA SOBRE O DOCUMENTÁRIO "NASCIDOS EM BORDÉIS"

O documentário Nascidos em Bordéis, produzido no ano de 2004, com a direção de Zana Briski e Ross Kauffman, mostra a vida de crianças do bairro da Luz Vermelha, em Calcutá. O aparente crescimento da Índia nos últimos anos deixa de lado os menos favorecidos e no contexto do documentário, os menos favorecidos são os filhos de prostitutas do bairro mais pobre da cidade. Surge uma esperança quando as documentaristas Zana Briski e Ross Kauffman procuram essas crianças e munidas de câmeras fotográficas pedem para elas fazerem retratos de tudo que lhes chamarem a atenção e os resultados são emocionantes.

Tudo conspira para que essas crianças tenham uma droga de futuro. As meninas provavelmente também entrarão para a prostituição e os garotos terão de continuar a trabalhar em subempregos pelo resto de suas vidas. Briski dá a essas crianças muito mais que uma câmera fotográfica, elas ganham voz e esperança através da fotografia. E nós somos levados a enxergar o mundo pelos seus olhos e partilhar de suas vidas. Briski consegue um modo de melhorar as condições de vida dessas crianças, ela é movida por um sentimento de compaixão.

É interessante ver que essas crianças, mesmo sem nunca terem visto ou manuseado uma câmera, conseguem tocar e emocionar a gente com as suas fotografias. Muitas dilacerantes de tão tristes e por vezes carregadas de um otimismo que só as crianças têm. É muito gratificante ver que mesmo com as péssimas condições de vida elas se empenham e acreditam no que estão fazendo, a fotografia é um momento de lazer e felicidade, apesar de elas a levarem muito a sério, é uma forma de “esquecer” as precárias condições em que vivem.

Fazer com que essas crianças acreditem que a possibilidade de um futuro melhor existe, não é uma tarefa fácil, porque muitas já perderam as esperanças quanto a isso e até já se conformaram com a condição em que vivem. “Quando eu estou com uma câmera nas minhas mãos eu me sinto feliz. Eu sinto que estou aprendendo algo... Que eu posso ser alguém" (Suchitra). Fazer com que essas crianças se sintam felizes, mesmo que por algumas horas, é uma grande recompensa. Mesmo com toda a condição em que vivem elas conseguem transmitir alegria e otimismo.

Este é um documentário sobre o talento desperdiçado em meio à pobreza, sobre o poder da compaixão e da indiferença, sem dúvidas, um trabalho espetacular e que mereceu ser premiado com o Oscar. É um trabalho que deve ser imitado por pessoas que acreditam que a esperança existe, mesmo que todas as circunstâncias levem a crer o contrário.